sexta-feira, 23 de maio de 2014

Punir e educar


Quando o telefone tocou Santiago não poderia imaginar a notícia que lhe seria dada.
Senhor Santiago? - Perguntou uma voz severa.
Sim. - Respondeu apreensivo.
Sou o delegado Lima. Seu filho Fábio foi preso em flagrante, minutos atrás, quando furtava um CD de uma loja em um Shopping.
Embora o delegado continuasse falando, nada mais foi registrado por Santiago.
O choque da notícia atingiu-o como um violento soco. Ficou calado, segurando o telefone mesmo depois do término da ligação.
Não podia crer naquilo.
Por quê? - Perguntava a si mesmo.
Enquanto se dirigia para a delegacia onde estava detido o filho, pensava nos sacrifícios que fizera, ao longo dos anos, para oferecer à família conforto e bem-estar.
Longas e extenuantes jornadas de trabalho.Anos e anos sem férias.
Economias e empréstimos bancários para garantir aos filhos tudo que lhes era essencial e necessário para crescerem fortes e felizes.
Não podia lhes dar tudo o que queriam, mas fazia o possível para lhes oferecer tudo o de que precisavam.
Priorizava a saúde e a educação dos pequenos. Tratava-os com amor e com atenção, mesmo quando chegava tarde do trabalho e os encontrava às turras e fazendo manhas.
Sabia que não era um pai perfeito. Reconhecia em si mesmo defeitos e vícios, mas não conseguia encontrar justificativa para a atitude do filho.
Por que Fábio teria feito aquilo? Sentia-se mortificado de vergonha.
Seu filho, um ladrão! Onde teriam ido parar os ensinamentos e os valores que acreditara ter incutido na cabeça daquele menino?
A dor inicial foi cedendo lugar à ira e quando Santiago chegou à delegacia e foi levado à presença do filho não se conteve.
Sem dizer nenhuma palavra esbofeteou a face do rapaz na frente dos policiais que ali estavam.
Fábio não reagiu, nem disse nada. Lágrimas escorreram pelo seu rosto.
Depois dos procedimentos burocráticos inevitáveis, o rapaz foi liberado e eles partiram silenciosos para casa.
Durante o trajeto nada foi dito. Na realidade, Santiago estava arrependido pela sua reação brutal, mas não conseguia encontrar uma forma de contornar a situação.
Fábio, por sua vez, estava envergonhado e sentia-se a última das criaturas.
Acreditava não ser merecedor nem mesmo do perdão do pai pelo seu gesto impensado.
Quando chegou em casa, Fábio trancou-se no quarto. Santiago largou seu corpo no sofá, pesadamente.
Levou alguns instantes para dar-se conta da urgente necessidade de conversar com o filho. Tomado por um impulso, correu até o quarto de Fábio e, como ele não respondia aos seus chamados, arrombou a porta.
Graças à Providência Divina, chegou a tempo de evitar uma tragédia ainda maior.
A severa punição que infligira publicamente ao filho e que, agora, atormentava a sua própria consciência, estimulara o desequilibrado rapaz a buscar a fuga da vida pelas vias equivocadas do suicídio.
*   *   *
Jamais puna quando estiver irado.
Nos momentos de raiva somos capazes de ferir até mesmo as pessoas que amamos.
A melhor forma de educar é fazer com que crianças e jovens repensem suas atitudes e aprendam com os próprios erros.
Pense nisso!

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4 do livro Pais brilhantes - professores fascinantes, de Augusto Cury, ed. Sextante.
Em 11.01.2010.




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