segunda-feira, 10 de junho de 2013

Meu filho e as manhãs


Hoje pela manhã, como de costume, antes de sair para trabalhar,
visitei o quarto de meu filho.

Considero uma espécie de ritual sagrado de todas as manhãs: chegar bem
perto de seu berço, ajeitar sua coberta com cuidado, aninhá-lo com
carinho para que não se descubra.

Passo então minhas mãos, algumas vezes, sobre seus cabelos macios, e
digo em pensamento: "Como eu te amo!"

Ele normalmente se move com suavidade, como se reagisse de alguma
forma ao estímulo externo durante o sono.

Continua ali, em silêncio, em paz, preparando seu corpinho e sua alma
para mais um dia de descobertas felizes.

Despeço-me, procurando não fazer ruídos, e saio porta afora com a alma
leve, pronto para enfrentar mais um dia no mundo.

Da próxima vez que o vir, mais tarde, ele já estará desperto, correndo
pela casa, brincando com seus carrinhos, e irá me conceder mais uma
alegria: a de receber seu sorriso, que sem dizer nada, diz tudo.

Por mais que alguns dias sejam difíceis, por mais que as batalhas
sejam ferrenhas e desgastantes, tudo se acalma, tudo se conforta
naquele sorriso.

Os sorrisos de criança têm um poder quase mágico, e os de nossos
filhos mais ainda.

Eles parecem querer nos fazer perceber que, por mais que a vida seja
tormentosa, cheia de pequenos e grandes espinhos que provocam dor,
muita alegria ainda existe.

Por mais que neste exato instante existam "n" pessoas desejando não
mais viver, se enfraquecendo nas lutas, desejando desistir, existem
outras tantas almas agradecendo pela vida, num júbilo contagiante.

E tenho certeza de que "ser pai" é mais um desses motivos de alegria
plena, de gratidão a Deus, e mais uma das muitas razões que temos para
continuar sempre, sem desistir.

Meu filho e as manhãs me ensinam sempre esta lição preciosa, a da
renovação, do renascimento da água e do Espírito.

*   *   *

Muitos pais se queixam de não terem visto seus filhos crescerem.

Passa tão rápido! Não me lembro mais! - são expressões que ouvimos com
frequência.

Será que estamos atentos aos nossos filhos como deveríamos estar? Será
que passa tão rápido assim, a ponto de guardarmos tão poucas
lembranças?

Ou há alguma coisa errada com o tempo, ou há alguma coisa errada conosco.

Seria tão bom poder ouvir de um pai, de uma mãe: Lembro-me de cada
nova conquista, de cada dia da infância, de cada nova palavra...

Seria tão bom poder ouvir: Curti cada dia ao seu lado, meu filho,
quando você era pequenino, como se fosse o último. Não perdi
oportunidade alguma junto a você.

Aproveitemos o tempo junto a eles, em qualquer idade, em qualquer
condição de vida.

Curtamos a existência ao seu lado, anotando no coração cada beleza,
cada nova descoberta, tirando fotografias com a alma - registrando no
íntimo do ser cada sorriso em seu rosto.

Redação do Momento Espírita.
Disponível no Cd Momento Espírita, v. 14, ed. Fep.
Em 31.01.2010.




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