quarta-feira, 22 de maio de 2013

Mensageira Divina


    Conta uma escritora ter, como hábito, ler nos jornais o chamado
Correio Sentimental. Feliz no casamento, o seu não é o propósito de
encontrar um novo amor mas, simplesmente, ler por ficar fascinada por
esses anúncios.

        Certo dia, um desses lhe chamou a atenção de forma muito
especial. Dizia: Henrietta. Lembra de termos namorado em 1938? Nunca
me esqueci de você. Por favor, me telefone.Irving.

        A curiosidade não a deixou em paz enquanto não tomou do
telefone e ligou para Irving. A voz que atendeu era uma voz madura e,
depressa, ela foi dizendo que não era Henrietta.

        Porque mostrasse interesse, Irving contou que, em 1938, ele
conhecera Henrietta e se haviam apaixonado. A família dela, contudo,
achava que ela era muito nova para casar.

        Por isso, logo mandaram a jovem para a Europa por alguns anos.
Ela acabou casando com um outro homem que conheceu naquele continente.

        Irving também se casara. Estava viúvo há 3 anos e só. Pensou
que se Henrietta também estivesse só, talvez pudessem reatar aquele
doce amor da juventude.

        A escritora ficou muito comovida com a esperança que revelava
aquele homem. Durante dois anos acompanhou as buscas por Henrietta,
sem nenhum resultado.

        Então, um dia, no ano de 1993, no metrô de Nova York, enquanto
lia o Correio Sentimental, foi interrompida por uma voz feminina que
perguntou: Procurando um novo marido, querida?

        Não, respondeu. Leio por curiosidade. Nunca teve vontade de
ler tais anúncios?

        Absolutamente, disse a senhora. Acredito que há muito
sofrimento nessas páginas.

        A conversa evoluiu e a jornalista acabou por concordar com a
desconhecida, que havia muito sofrimento naquelas páginas.

        Contou-lhe, na seqüência, a história de Irving e Henrietta. Ao
finalizar, falou:

        Gostaria de dizer que Irving encontrou o seu amor.
Infelizmente, isso não aconteceu. Ou ela morreu, ou mora em outra
cidade ou então não lê o Correio Sentimental.

        A mulher falou baixinho: É a terceira opção. Acredite, eu tenho certeza.

        E logo em seguida: Você ainda tem o número do telefone?

        E aquele rosto enrugado, revelando uma beleza que já não
dispunha de brilho agora, iluminou-se quando a jornalista lhe entregou
o número do telefone de Irving.

        Henrietta fora encontrada.

*   *   *

        A esperança se constitui em apoio dos fracos e dos fortes, dos
pobres e dos ricos, dos poderosos e dos necessitados.

        A esperança é uma mensageira divina que ante o ardor do verão,
quando tudo resseca, fala com suavidade do outono que se avizinha.

        Na doença, ela fala sobre as bênçãos da saúde, inspirando coragem.

        Na soledade ou no abandono, ela faculta a ligação com Deus e
sempre oferece uma palavra de bom ânimo.

        A força da esperança é tão grande que vence o tempo. Vence
também a morte porque descobre a imortalidade que fala dos afetos que,
 embora sem o corpo físico, vivem e continuam a amar.

Redação do Momento Espírita com base em relato extraído do livro
Pequenos milagres,
de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, ed. Sextante,  e no cap.
19 do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 06.01.2009.




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