terça-feira, 21 de maio de 2013

Menos é mais


O escritor português José Saramago escreveu: Não ter pressa não é
incompatível com não perder tempo.

Mas, hoje, o que mais se exige é rapidez. Rapidez em tudo. O
computador deve ser de alta velocidade, é preciso pensar rápido, agir
rápido para não perder negócios, para não perder audiência, para não
perder mercado de trabalho.

No mundo dos executivos, ao contrário da realidade do trânsito, não há
limite de velocidade. A multa é alta para quem anda lento. A ordem é
supervelocidade.

Para esses, cada minuto conta. E se estressam somente contando o tempo
que perdem aguardando o elevador, o semáforo abrir, o autoatendimento
bancário lhes fornecer as informações de que necessitam.

São pessoas que se sentem culpadas quando param para um cafezinho,
porque poderiam estar produzindo. A sua meta é executar projetos, ler
apenas livros técnicos, acelerar a rotina. Tudo o mais é desperdício.

E, no entanto, a vida é feita de pequenas coisas.

Felizes são aqueles que decidem subir pela escada para exercitar as
pernas e a imaginação. Aqueles que têm tempo para um sorriso ao
desconhecido que está na fila, logo atrás, esperando sua vez para ser
atendido.

Os que, em vez de engolirem um sanduíche rápido no escritório,
preferem almoçar com um amigo, com calma, bater um papo descontraído.
Ou melhor, ir até em casa e observar os filhos crescerem, enquanto a
família se reúne em volta da mesa.

Essas pessoas não costumam usar atalhos para encurtar caminhos. Elas
preferem procurar estradas com paisagens com que se possam deliciar.

Quando viajam, vão com calma. Não têm hora para chegar. Como as
crianças, a quem o fazer é mais importante do que a tarefa pronta,
eles param na beira da estrada para provar uma fruta e conversar com o
vendedor, que sempre tem histórias para contar. Histórias de vida.
Experiências importantes.

Quando descobrem uma paisagem bonita, param para apreciá-la. Alguns
fotografam para levar consigo aquele momento mágico. Chegam ao destino
com maior disposição e alegria.

Esses são os que adotam a filosofia de que menos é mais. Menos
velocidade é mais oportunidade de olhar para os lados e apreciar a
natureza.

Menos horas de trabalho equivalem a mais tempo com a família. Tirando
levemente o pé do acelerador das suas vidas têm mais tempo para ouvir
música, ler algo mais além do que a profissão lhes exige, assistir um
filme, meditar.

Em síntese, têm mais tempo para viver. Em verdade, a velocidade máxima
permitida para ser feliz é aquela que não nos deixa esquecer de que,
além dos negócios, do trabalho, do dinheiro, o mais importante é a
vida em si mesma.

*   *   *

Viver é uma arte. Todos nascemos com programas definidos que nos
possibilitem o progresso. Por isso, todo momento se faz importante.

Também todas as experiências do cotidiano nos enriquecem. Desfrutar de
cada uma delas retirando o máximo de proveito, deve ser a meta do
homem sábio.

Isto significa aproveitar bem a vida. Não desperdiçar nenhuma de suas
oportunidades.



Redação do Momento Espírita, com base no texto Velocidade máxima,
publicado na revista Exame, de 15.12.1999.

Em 01.01.2011.




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