quarta-feira, 17 de abril de 2013

Um mau a menos


É bastante comum falar-se do mal que existe na Terra. Sobretudo nestes
tempos, em que a mídia tem sido farta em notícias aterradoras, as
pessoas se têm indagado o que será do futuro.

A carga de maldade parece crescer, de forma assustadora. A cada
momento, novas notícias se somam às anteriores, portadoras de
intranquilidade.

Os jornais se esmeram em colocar manchetes que falam de escândalos,
corrupção, hábitos infelizes.

A televisão mostra as imagens de tragédias familiares, sociais e
políticas. O homem parece mesmo ter se tornado lobo de seu irmão.

Pensando nesse panorama de ansiedade e medo que assola o mundo, um
jovem discípulo procurou seu mestre.

Encontrou-o em estudo e quebrou o silêncio, indagando:

Senhor, vejo a Humanidade infeliz. A perversidade campeia e a
agressividade toma conta das criaturas.

Em toda parte vejo as sementes do ódio invadirem os canteiros do
mundo, a inveja tomar conta dos jardins e a perseguição gratuita
avançar, sem limites.

Vejo as pessoas se digladiarem e somente encontro sombras onde
esperava descobrir a luz.

Como poderei contribuir para tornar o mundo melhor? O que devo fazer?

Porque o mestre permanecesse em silêncio, o aprendiz voltou à carga,
precipitado, em nova leva de perguntas:

Vejo o mal avançar a cada dia assenhoreando-se de mais terreno.

Gostaria de extirpá-lo da Terra em definitivo.

Desejaria acabar com a miséria e o sofrimento. Contudo, sinto-me sem recursos.

Que poderei fazer em favor dos infelizes e perversos?

O sábio, tomado de compaixão pelo jovem candidato à transformação do
planeta, respondeu com serenidade:

Filho, mudar as condições da Terra e dos seus habitantes, de um só
golpe, é tarefa impossível.

No entanto, se te encontras realmente interessado em contribuir em
favor da Humanidade, eis a fórmula:

Realiza a viagem ao interior de ti mesmo. Faze-te gentil com os que
cruzem teus caminhos.

Sê melhor com todos os que tomem contato contigo.

Ilumina-te, enfim, a partir deste momento.

Com isso, guarda a certeza de que existirá um perverso e um ignorante
a menos no mundo.

*   *   *

Normalmente agimos como o jovem discípulo. Desejamos que a Terra se
transforme em um oásis de paz e alegrias.

Pensamos em anular o mal de fora, dos outros. E esquecemos de adentrar
nossa intimidade, iniciando a grande reforma do mundo a partir de nós
mesmos.

Se nos tornarmos bons, seremos um mau a menos.

Se nos tornarmos iluminados, seremos uma luz a mais a clarear a paisagem.

Se realizarmos o bem, a migalha da nossa atuação se fará presença
benfazeja onde estivermos.

A dor que acalmarmos arrefecerá a economia da dor mundial.

A aflição que aplacarmos será diminuída do rol geral de aflições.

Enfim, o movimento positivo que empreendermos reagirá no cômputo
geral, modificando a panorâmica da Terra em que nos situamos.

*   *   *

Uma gota d'água não resolve o problema da terra ressequida, mas é o
anúncio da chuva generosa que logo mais se precipitará.

Ante a aparência do sol, uma pequena nuvem que se apresente constitui
alívio ao viajor cansado, tanto quanto a sombra de uma árvore o
aliviará da canícula que o maltrata.

Uma ação isolada pode parecer de nenhuma valia. Contudo, é sempre o
desencadear de uma reação em cadeia, beneficiando muitas almas.

Pense nisso e comece hoje a mudar o Mundo.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8 do livro
A busca da perfeição, pelo Espírito Eros, psicografia de
Divaldo Pereira Franco, ed. EBM.
Em 30.11.2009.




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