sexta-feira, 24 de maio de 2013

Mensagem-súplica


Eu, que sou criança ainda, dirijo a você, que já passou pelo período
infantil, e que superou a fragilidade e o medo e conseguiu seu lugar
ao sol, esta mensagem em forma de súplica.

Sei que os adultos são pessoas muito ocupadas, têm tantos compromissos
que quase não sobra tempo para se preocuparem com gente miúda feito
eu.

Tenho percebido os grandes esforços e investimentos feitos em defesa
da natureza, com vistas à preservação do ecossistema. Aliás, eu não
sei bem o que isso quer dizer, mas pelo que observo, trata-se de uma
iniciativa nobre, de gente grande.

Todavia, eu ouço falar na preservação das várias espécies animais, do
mico-leão dourado, do mico de topete, das baleias, das toninhas, do
tamanduá- bandeira e de outros bichos.

Percebo o empenho de muitos na preservação das florestas, das águas,
das árvores seculares, enfim, dos cuidados com o nosso lindo planeta
azul...

No entanto, eu, que também faço parte deste mundo, tenho sido
esquecido e relegado à própria sorte...

Talvez vocês pensem que eu já sei me cuidar sozinho como os demais
filhotes de animais, mas eu asseguro que não é assim...

Asseguro que nesta selva em que estamos jogados, há muitos perigos...

Vejo muitos pequeninos como eu, tragados pelos vícios variados...

Percebo filhotes indefesos como eu, seviciados por homens maus, que
dividem conosco os restos de comida e dormem, como nós, ao relento...

Penso até que eles seremos nós, amanhã... se alguém não se compadecer
do nosso destino e nos oferecer um futuro diferente...

Sabe, enquanto se empreende lutas para que algumas espécies não
desapareçam da face da Terra, eu, e muitas outras crianças morremos
por falta de um pedaço de pão.

Enquanto se gasta muito dinheiro para tratar os dentes de alguns
felinos, nossos dentinhos nascem e se deterioram sem que possamos
remediar...

Enquanto se investem altas somas para reproduzir o habitat de alguns
bichos, muitos de nós só encontramos abrigo debaixo da marquise fria
ou de algum viaduto sombrio e infecto...

O que eu queria rogar, na verdade, é que você, que é adulto e que tem
um coração generoso a ponto de se ocupar com a preservação da
natureza, observe esses seres pequenos e indefesos que vivem nas ruas,
sem lar, sem educação, sem saúde...

Ou será que a vida humana vale tanto ou menos que a vida de um inseto?

Talvez o meu apelo se perca no ar, e a minha situação não mude... Mas
se você, que o ouviu, pensar um pouco a esse respeito, perceberá que
todos os esforços de preservação ambiental resultarão sem efeito, se a
espécie humana não for preservada também.

*   *   *

Ainda que as águas cristalinas e salutares jorrem de fontes protegidas...

Ainda que o ar atmosférico espalhe por todos os cantos da Terra
agradáveis aromas de flores...

Ainda que as espécies animais sejam poupadas da extinção...

Ainda que a pradaria verde e exuberante encha os olhares de júbilo e
contentamento...

Isso tudo de nada valerá se no coração do homem ainda habitar o
egoísmo, o deserto, a secura...

Tudo isso de nada adiantará enquanto morrerem centenas de crianças e
de idosos nas mãos covardes de grupos de extermínio ou nas teias
cruéis da indiferença social.

Redação do Momento Espírita com base nos caps. 1,2 e 3 do livro
Educação e vivências, pelo Espírito Camilo, psicografia
de José Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 26.10.2009.




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