sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mensagem para o amanhã


Quem observa esses frágeis seres que abrem seus olhinhos curiosos para
o cenário do mundo, logo percebe como eles dependem dos adultos.

Bebês, pequeninos, com o aroma da inocência aureolando suas ações,
andam na Terra em busca de carinho. Parecem aves implumes, tal sua
delicadeza e fragilidade.

Às vezes, as vemos colocando suas mãozinhas nas pernas dos adultos,
batendo de leve com seus dedinhos miúdos, erguendo os bracinhos a
dizer sem palavras: Quero colo.

As crianças expressam assim seu desejo de serem carregadas. Desejo que
às vezes é repelido com expressões grosseiras como: Não  pego no colo,
não. Vai andar! Quis vir junto, agora ande. Do contrário, poderia ter
ficado em casa.

Isso cai sobre a cabecinha da criança como uma bomba. Não percebem, os
que assim agem, que o pequeno tem menos resistência.

Dirão que a criança pula, corre, e brinca o dia todo, que, se tem
energia para brincadeira, também deverá ter para andar.

Ora, na brincadeira a criança tem a recompensa do prazer. Ela brinca
até cansar e ao se sentir exausta, para.

Até mesmo o bebê de poucos meses parece, por vezes desligar. É o
período de calmaria, de repouso que ele busca.

A caminhada contínua, onde não lhe é permitido parar para observar o
cachorro que late, o brinquedo colorido na vitrine, o movimento das
pessoas que circulam rápido, faz com que ela se canse com maior
rapidez.

Sem falar que, normalmente, os adultos esquecem que os pequenos estão
juntos, e andam a passo acelerado, obrigando-os a quase correr para os
acompanhar.

Outra situação que se repete com constância é a de crianças, no seu
período de imitação, desejarem ser a cabeleireira da mãe.

Munidas de escova e pente, elas tentam criar o penteado que sua mente
cataloga como maravilhoso. O que conseguem, em verdade, é despentear.

Mas elas insistem, põem a ponta da linguinha para fora da boca,
demonstrando esforço, e alisam os cabelos com suas mãos. Satisfeitas,
exclamam: Pronto.

Quantas vezes todo esse cuidado é repelido com as desculpas de: Vai
estragar o meu penteado. Ou: Não tenho tempo para perder.

Atitudes dessa natureza, repetidas, terminam por passar para a criança
que o sofrimento do outro, como o seu cansaço, não importa. O lema é:
Cada um por si.

Não nos admiremos se, no futuro, nos depararmos com adolescentes frios
e adultos indiferentes.

Pessoas que pensarão somente no seu bem-estar, no seu conforto, não se
importando com a família, amigos ou colegas.

Nas relações humanas, como tudo na vida, a questão é de aprendizado e
de semeadura.

*   *   *

Até aos 7 anos de idade a criança é mais suscetível às mensagens que
recebe dos adultos.

A educação integral compreende, não somente o comportamento social, as
boas maneiras, a conduta reta, mas também a questão afetiva, emocional
e espiritual.

Assim, não desprezemos as carícias da criança. Dia virá, quando os
anos se forem, que ansiaremos por quem se aproxime de nós e nos
acaricie os poucos cabelos brancos.

Alguém que disponha de seu tempo para colocar sua cabeça junto da
nossa e diga: Como vai minha velhinha, hoje?

Está cansada? Quer um carinho?

Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 11, ed. Fep
Em 18.01.2010.




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