quarta-feira, 8 de maio de 2013

A melhor idade do amor


Sábado, dez horas e vinte e um minutos da manhã. Chuva insistente de
outono. Um casal adentra uma panificadora para tomar café.

Dois cafés com leite e três pães de queijo, por favor.

Ela parece um pouco agitada. Não tira os olhos dele. Ele parece
tranquilo, dessas pessoas que já conseguem viver num tempo um pouco
mais lento do que o do relógio.

A diferença de idade é gritante. Não mais de quarenta, ela. Próximo
aos oitenta, ele.

Ele olha para fora pela janela entreaberta.

Ela sorri, carinhosa.

Todos os seus filhos nasceram aqui nesta cidade?

Ele pensa um pouco... - Sim, todas elas... Três filhas.

E você? Onde nasceu? - Volta a inquirir a mulher.

Eu não sou daqui. Nasci no interior... Longe da cidade.

E o que você lembra de lá?

Ah... Muitas coisas... - Responde ele, com leve sorriso.

Então, silencia. Parece fazer algum esforço para recordar de algo
especial, mas logo desiste. Volta a olhar para fora, procurando a
chuva fina.

Sabe... Acho que tive uma vida feliz...

Ela permanece interessada. Um interesse de primeiro encontro. Observa
os cabelos brancos dele, a tez um pouco castigada, os olhos azuis.

Respira fundo. Alguém poderia dizer que é o respirar de quem está apaixonado.

Você só casou uma vez? - Pergunta ela, com certo embaraço na voz.

Sim. Tereza. Mãe de minhas meninas. Que Deus a tenha.

Ela fica um pouco emocionada e constrangida, repentinamente. Esboça um
sorriso para disfarçar. Olha para a mesa. Ainda resta um pão.

Pode comer. Já estou satisfeita.

Almoçamos juntos amanhã? - Pergunta ele, ansioso por ouvir um sim.

Sim... Claro que sim. É dia de almoçarmos juntos. Você sabe que gosto
muito de estar com você, de ouvir suas histórias...

Estou um pouco esquecido hoje, eu acho. Contei pouco...

Não tem problema. - Diz ela, carinhosa. - Tem dias que a gente está
com a memória mais fraca mesmo.

Doutor Maurício disse que é importante ficar puxando as coisas da
memória sempre. Ele diz que é como um exercício físico que fazemos
para não "enferrujar". - Conclui ele.

É verdade... - Ela suspira. - Precisamos cuidar da memória...

Novamente um longo silêncio entre os dois.

Ele volta a vislumbrar o exterior, contemplativo.

Ela nota seu rosto em detalhes, ternamente.

Fecha os olhos, por um instante, como se fizesse uma breve oração, uma
rogativa sincera a uma Força Maior.

Volta a abri-los, vagarosamente, e então pergunta:

Pai... Pai... Posso pedir a conta?

Ele acena positivamente. A conta chega. Ela se levanta primeiro, vai
em direção a ele, envolve-o num abraço e o ajuda a levantar.

Aquela era a rotina de todo sábado, às dez horas e vinte e um minutos
da manhã, nos últimos dez meses.

*   *   *

Foram nossos genitores que nos proporcionaram um corpo, abençoado
instrumento de trabalho para o nosso progresso, bem como um lar.

Pensando em tudo isso, louve aos seus pais. Cuide deles, agora quando
estão velhos, alquebrados, frágeis ou doentes.

Faça o possível para não os atirar nos tristes quartinhos dos fundos
da casa, aonde ninguém vai. Não se furte à alegria de apresentá-los
aos seus amigos e às suas visitas;

Ouça o que eles tenham a dizer. Quando estejam em condições para isso,
leve-os para as refeições à mesa com você. Retribua, assim, uma
parcela pequena do muito recebido por seus genitores anos atrás.


Redação do Momento Espírita com base no cap. 7, do livro Ações
corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita da Silva,
psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter.
Disponível no cd Momento Espírita, v. 19, ed. Fep.
Em 09.08.2012.




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