Apenas dois meninos...

 

Eram duas crianças numa cidade, chamada Nazaré, que mais tarde receberia o título de flor da Galileia.

Localizada sobre uma colina, era, então, um pequeno povoado de casas, quase sempre compostas por uma única sala, ligadas a uma gruta escavada na rocha.

Naquela época tinha importância alguma, com suas casas pequenas, ruas humildes e pedregosas, lojas singulares.

Os meninos estavam quase na mesma idade. O que nascera na cidade de Belém, numa noite quase fria, chamava-se Yeshua e tinha somente alguns meses menos que o primo João, que o visitava, naquela ocasião, trazido pelas mãos maternas.

Enquanto suas mães cuidavam dos afazeres da casa e buscavam colocar em dia as tantas notícias a respeito de suas próprias vidas, saíram os garotos a andar.

Quando o entardecer se anunciou, deixando que descessem as primeiras sombras da noite na paisagem, as duas mulheres se mostraram inquietas.

Onde estariam os dois pequenos?

E saíram a procurá-los. Maria e Isabel avistaram os filhos, lado a lado, sobre uma pequena elevação.

Os cabelos de Yeshua esvoaçavam ao sopro caricioso da brisa.

Seu pequeno indicador mostrava a João as paisagens que se multiplicavam à distância, como um grande general que estivesse dando detalhes dos seus planos a um oficial de sua confiança.

João simplesmente ouvia e olhava o soberbo conjunto de montes e vales apontados, ao lado das águas cristalinas.

Nunca ninguém soube o que estariam conversando. Talvez fosse a primeira combinação, na Terra, entre o amor e a verdade, para a implantação do reino de Deus.

O que sabemos é que no dia seguinte, quando Isabel e João se despediam para retornarem ao próprio lar, perguntou Isabel:

Não gostarias de vir conosco?

E o pequeno carpinteiro de Nazaré respondeu, prontamente, com ternura:

João partirá primeiro.

Não era bem uma resposta à indagação feita, mas a ratificação da missão do Batista: ir à frente, aplainar as veredas para que o Cordeiro de Deus se manifestasse entre os homens.

Por isso, veremos, anos depois, o operário da primeira hora, vestido de peles, anunciando com energia: Eu sou a voz que clama no deserto dos corações.

Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

*   *   *

Todos trazemos, ao renascer, neste planeta, um plano de ação para nosso jornadear.

Alguns não temos missões de grandeza ou de condução de outras mentes. O que nos cabe é atender aos compromissos familiares, profissionais, subirmos, um degrau que seja, na escala da evolução.

Outros trazemos compromissos que têm a ver com o crescimento da Humanidade e do planeta.

Por isso, temos os grandes destaques nas ciências, nas pesquisas, auxiliando na descoberta de medicamentos e vacinas para a conservação da vida humana.

Também destaques na área da educação, da instrução, a fim de que muitas mentes possam ser ilustradas.

Ou nas artes, oferecendo ao mundo a beleza dos poemas escritos e a poesia das suntuosas edificações, que se erguem, como desejando alcançar os céus.

Que nossa estadia, neste mundo, seja para nosso crescimento, para o progresso de outros, para a glória de Deus.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 2, do
 livro 
Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos,
 psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEP.
Em 1º.10.2021.





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