terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Os dois pedidos


O menino ainda não tinha dez anos. Seus cabelos claros cobriam-lhe a testa displicentemente. Seus olhos tinham uma expressão de viva curiosidade.
Aproximou-se da mãe e, sem cerimônia, questionou-a: Mamãe, o que você quer que eu seja quando crescer?
A mãe deixou os afazeres de lado e olhou demoradamente o pequeno.
Por que a pergunta, meu bem? – Devolveu o questionamento ao garoto.
Ah, mamãe!, disse suspirando, hoje, na escola, meu amigo me disse que ele vai ser médico porque seu avô é médico e seu pai também. Então, fiquei pensando nisso. O que você e o papai querem que eu seja?
O rostinho do menino tinha um traço de apreensão.
Meu querido, disse ela, abraçando o garoto, eu tenho apenas dois pedidos para lhe fazer. Quero que você seja correto e que seja feliz.
Beijou, suavemente, a testa do filho que, insatisfeito com a resposta, afastou-se para poder fitar a mãe diretamente.
Não, mamãe! Qual profissão você quer que eu tenha quando crescer? – Voltou à carga, achando que não havia sido compreendido.
A escolha da sua profissão, meu filho, cabe apenas a você. Isso não me compete, tampouco me causa maiores preocupações. O que quero de você é outra coisa. Ou melhor, como eu lhe disse, tenho apenas dois pedidos a lhe fazer. Vou repeti-los e explicá-los. Quero que você seja correto.
Isso significa que espero que você escolha o caminho do bem sempre, mesmo que ele seja mais longo ou mais difícil. Que pense nas consequências dos seus atos, para você e também para os outros. Que não tema a verdade, nem a justiça. Ao contrário, que as busque sempre com serenidade e persistência.
O segundo pedido, que é tão importante quanto o primeiro, é que você seja feliz. Isso quer dizer que espero que, apesar das dificuldades da vida, você tenha sempre confiança em Deus. Que acredite na Justiça Divina e que jamais se entregue ao sofrimento. Que você tenha o coração cheio de amor e de coragem para seguir em frente, sempre.
A mãe acariciou o menino, afagando-lhe os cabelos com doçura e concluiu: Para mim, meu filho, o que interessa é como você vai ser e não o título que vai carregar.
*   *   *
Por vezes, sentimo-nos tentados a buscar realizar nossos sonhos frustrados por meio de nossos filhos. Induzimos nossos jovens a concretizar ideais de vida que não são os deles. Fazemos que eles busquem objetivos que, na verdade, eram nossos.
Por mais promissoras que sejam algumas carreiras e profissões, não cabe a nós, pais, escolher os caminhos que nossos filhos trilharão. Nosso dever é prepará-los para que sejam homens e mulheres de bem.
Altos salários e títulos de honra nada são se a alma permanece atormentada pela tarefa não cumprida e pelo compromisso abandonado. Se queremos que eles sejam realmente felizes, cabe-nos orientá-los para que busquem a senda da retidão moral. Somente assim nossos amores serão capazes de alcançar a felicidade possível neste mundo.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita.
Em 21.7.2014.




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