quinta-feira, 27 de abril de 2017

O conforto dos amigos


Na parede imensa de rocha nua, Deus semeou pequena flor. Minúscula, ela quebra a rigidez da pedra, com sua cor e perfume.
No deserto imenso, um pequeno oásis quebra a monotonia do areal a perder de vista.
Também no palco do mundo, para arrefecer a rigidez dos problemas e o deserto de afeições, Deus colocou na vida de cada um, uma flor perfumada, um oásis de paz, que se chama amigo.
Susan entendeu esta mensagem quando teve seu primeiro bebê. Gozando a licença maternidade, ela começava a pensar quanto seria difícil encontrar novas amizades que se dispusessem a fazer-lhe companhia.
Ela era tímida e tinha dificuldades em se aproximar, espontaneamente, das pessoas.
Então, chegou uma carta. A remetente era mãe de dois filhos e também se mudara para Baltimore, na Califórnia, recentemente. Conseguira seu endereço com o serviço de fraldas de que Susan se utilizava.
A carta falava de uma ideia brilhante, que envolvia casais com filhos pequenos.
No sábado, ela e o marido caminharam alguns quarteirões até a casa de Blye, onde conheceram sete casais da vizinhança, cujos filhos ainda usavam fraldas.
A espetacular ideia era um tipo de cooperativa de babás. Fizeram um acordo de revezamento. Às sextas-feiras à noite, dois casais tomariam conta de todas as crianças para que os outros seis casais pudessem sair de casa.
Susan voltou para casa com sua lista de telefones. Ficou um pouco nervosa e em dúvida se deveria telefonar para algum deles.
A questão de deixar seu filho em mãos estranhas a preocupava. Bom, pensou, se os casais estão dispostos a deixar seus filhos comigo, devem ser confiáveis o bastante para cuidarem do meu.
Todas as sextas-feiras, Susan conhecia um pouco mais as pessoas da lista, quando tropeçava em brinquedos espalhados ou saíam juntos nos dias de folga.
Com o tempo, crianças e mães passaram a ser pessoas especiais. Uma espécie de parentes.
A lista modificou a sua vida. Certo dia de verão, ao almoçar na companhia de três mães e quatro crianças, entre migalhas de batatas fritas espalhadas pelo chão, Susan se deu conta do quanto aquelas pessoas eram importantes em sua vida.
Lembrou-se da casa de sua mãe. Lá, ela sempre sentia que era um verdadeiro lar.
Não porque tivesse fotografias emolduradas da família, piano ou lareira. Era por causa da lista de número de telefones à qual ela podia recorrer todas as vezes que necessitasse de uma amiga para planejar uma festa, transmitir ânimo ou bater um papo no meio da noite.
Susan tinha agora a sua lista poderosa. Usa-a sempre. Se organizar uma festa, tem certeza de que alguém comparecerá.
Se precisar conversar com alguém, desabafar, a lista cumpre o seu papel.
Ainda hoje, quando Susan olha para o papel manchado de suco preso na porta da geladeira com o ímã circular, sente que algo a une a seus vizinhos. E mais do que tudo, sente que está verdadeiramente em casa. Seu lar.
*   *   *
Um poeta escreveu, num dia de inspiração: Murmurei uma canção no ar e ela caiu por terra. Não sei onde foi parar.
Finalmente, eu encontrei a canção, do princípio até o final, no coração de um amigo leal.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Ligue para um amigo
de Susan Schoenberger, e dos versos de 
A canção, de Henry 
Wadsworth Longfellow, do livro 
Histórias para o coração da mulher,
organizado por Alice Gray, ed. United Press.
Em 5.1.2015.




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