segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Carência e dignidade


Estamos vivendo uma fase de transição na Terra.
Valores que até ontem regiam a vida em sociedade são colocados em dúvida.
Padrões de comportamento estão em constante alteração.
Em um mundo onde tudo muda demais, atenua-se a fronteira entre o correto e o incorreto.
Os freios morais tornam-se frágeis e nada mais parece chocante.
Nesse contexto, é frequente os homens perderem seus referenciais de valores.
Em consequência, acabam achando que tudo é válido e que o importante é realizarem as mais delirantes fantasias.
Os maiores desatinos são cometidos na seara afetiva, sob a singela justificativa de serem fruto de carência.
A liberdade tende a ser invocada como um valor absoluto, que não experimenta quaisquer limites.
O problema são as consequências desse gênero de comportamento.
Será que a ausência completa de pudor prepara dias de paz para as criaturas?
Experiências sexuais exóticas ou relacionamentos fugazes podem trazer algum sentimento de plenitude para os seus praticantes?
A falta de comedimento no vestir, no comer e no viver colabora para a saúde do corpo e da alma?
Em face da aparente ausência de limites para o comportamento humano, é conveniente recordar a sentença do apóstolo Paulo segundo a qual tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém.
Ante as muitas opções que nos são ofertadas, devemos verificar quais delas nos ajudam a atingir os nossos objetivos.
Se o mundo e seus valores não nos satisfazem e o fruir de estranhos divertimentos nos deixa uma sensação de vazio e insatisfação, eis um sinal a ser considerado.
Provavelmente, isso significa que já sentimos necessidade de plenitude, autoconhecimento, saúde e paz.
Sendo assim, não importa que à nossa volta imperem a libertinagem e a leviandade.
Somos responsáveis apenas por nossas decisões e por gerir nosso próprio processo evolutivo.
Na verdade, o homem moderno é profundamente carente.
Mas o fato de experimentar gozos de efêmera duração não lhe trará felicidade efetiva.
A carência real da Humanidade é de dignidade e de paz.
Ninguém se pacifica e dignifica instigando seus instintos e vivendo suas mais baixas fantasias.
Tal espécie de comportamento apenas estabelece laços com seres ainda desequilibrados.
Não banalizemos nossos carinhos e nem degrademos nossos corpos.
Sejamos criteriosos em nossos relacionamentos, pois as pessoas não são descartáveis.
Experiências fortuitas às vezes suscitam expectativas que talvez não estejamos dispostos a atender.
Mas, uma vez estabelecido o vínculo, este pode se tornar duradouro e pesado.
Afinal, ninguém brinca impunemente com a vida e os sentimentos dos outros.
A paz pressupõe poder observar os próprios atos com satisfação, sem remorso ou vergonha.
A dignidade é uma conquista do ser que domina a si próprio, que desenvolve valores e hábitos nobres.
Não devemos utilizar a solidão como desculpa para manter condutas ou relacionamentos levianos.
Esse sentimento pode ser melhor gerenciado com a prestação de serviços aos semelhantes, a adesão a grupos de estudo, ou de auxílio aos necessitados.
Do mesmo modo, a libido pede esforço educativo, para não se converter em fonte de dores e doenças.
Ao falarmos em carência, reflitamos sobre o que de fato nos falta.
Se nossa carência for de paz, plenitude de sentimentos e bem-estar, agir de modo digno e prudente é o melhor modo de supri-la.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita.
Em 07.12.2009.




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