quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Cabos e luzes em uma caixa


Há cerca de cinquenta anos, um discurso tornou-se célebre no ambiente de rádio e telejornalismo americanos.
Tratava-se da fala do âncora Edward Murrow sobre rádio e televisão.
As transmissões de TV ainda davam seus primeiros passos, e traziam à tona muitas discussões no que dizia respeito à programação, e ao objetivo dessa nova mídia na época.
Na ocasião, o jornalista da rede CBS falou a uma grande plateia de membros e diretores das principais empresas do setor, nos Estados Unidos.
Afirmou que, se dentro de meio século, historiadores analisassem vídeos das grandes redes americanas, encontrariam provas da decadência, escapismo e alienação das realidades do mundo que vivemos.
No discurso, que ficou conhecido como Cabos e luzes em uma caixa, Murrow expressava receio de que o poder do rádio e da TV fosse usado de maneira danosa à sociedade e à cultura.
Especialmente sobre a TV, ele foi ainda mais fundo.
Disse ele: Este veículo pode ensinar, iluminar. Sim, pode até inspirar. Mas só pode fazê-lo se os seres humanos estiverem determinados a usá-lo para estes fins.
De outro modo – acrescentava ele – são meramente cabos e luzes em uma caixa.
O âncora ainda acrescentou: Há uma grande batalha e talvez decisiva, a ser travada contra a ignorância, a intolerância e a indiferença. Esta arma, a televisão, poderia ser útil.
*   *   *
Meio século se passou, e como estamos em relação a essa questão no mundo?
A televisão passou a fazer parte da vida diária de bilhões de pessoas.
Porém, será que está sendo utilizada com esses fins nobres, idealistas, apontados pelo jornalista?
Será que colocamos essas descobertas da ciência, as novas facilidades na obtenção de informação, rapidez de comunicação, a serviço de nossa evolução moral?
Ou tudo isso, em grande parte, foi seduzido pelo antigo desejo do homem velho, de ter cada vez mais e mais?
É importante que reflitamos.
Deus permite que conquistemos as melhorias materiais das ciências, da tecnologia, do conhecimento, com um único fim: o nosso crescimento moral.
São instrumentos que facilitam a vida material do homem – ou, deveriam facilitar – para que esse se preocupe mais com a conquista das virtudes da alma.
A verdade é que acabamos nos hipnotizando pela caixa com cabos e luzes. De meio, de instrumento, ela virou veículo de alienação, de escapismos.
E assim vimos fazendo com tantas outras conquistas da tecnologia, pois a alma humana ainda está vazia, perdida.
Vale a pena repensar tudo isso. Vale a pena procurar saber se não estamos alimentando uma indústria de inutilidades mil.
A mudança desse panorama virá de cada um de nós, primeiramente como receptores mais exigentes que precisamos ser.
Depois, como transmissores, na esfera que nos caiba, dessa ideia de que todos esses meios de comunicação devem ser veículos do bem.
É tempo de despertar, mudar de canal ou desligarmo-nos das tomadas do mundo, e nos religarmos a Deus e aos nossos objetivos maiores aqui.

Redação do Momento Espírita.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. Fep.
Em 18.2.2013.




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