sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Virtude solitária


Há quem deseje tranquilidade ideal na Terra.
Casa branca no aclive da serra, com o vale rente.
Fontes claras, correndo perto e jardim florido.
Clima doce e perfume da natureza.
Nenhum aborrecimento.
Nenhum cuidado.
Falta alguma.
Problema algum.
Solidão saborosa em que o morador consiga estirar-se, inerte, em poltronas e redes.
Essa imagem idílica da vida aparece de modo menos ostensivo na imaginação de muitos.
Trata-se da ideia de que os problemas são alheios à criatura.
São os semelhantes que complicam a existência, que de outro modo transcorreria pacífica.
Deixada sozinha, ela floresceria.
Com essa crença, sente-se justificada para reclamar dos outros.
Em alta voz ou no íntimo de seus pensamentos, brada contra os que a rodeiam.
Indigna-se contra o chefe exigente e o colega de trabalho preguiçoso ou difícil.
Sente enfado em relação aos familiares e aos vizinhos.
Deseja que o mundo pare para que possa descer.
No entanto, é no trato da luta que as forças se robustecem  e as qualidades se aperfeiçoam.
O mal é o trânsito inferior nos quadros da experiência mais nobre.
Ele se revela por erros onde era possível acertar.
Traduz-se em sombra e dor, nos caminhos próprio ou alheio.
E é no serviço do amparo mútuo e da tolerância recíproca que o mal transitório pode ser transformado em bem duradouro.
Ao agir de modo proveitoso no mundo, o homem transforma as suas sombras de ontem na luz de hoje.
Livres, todos os homens estão interligados perante a lei, para fazer o melhor.
Escravizados aos compromissos expiatórios, oriundos do erro, eles se acorrentam uns aos outros.
A reencarnação os aproxima para que anulem o que fizeram de equivocado nas existências passadas.
Ninguém progride sem alguém.
É por meio do homem que o progresso surge na face do planeta e nunca constitui realização de um só.
Sempre são muitos os que cooperam para que algo de bom felicite a coletividade.
Assim, é preciso abençoar as provações que felicitam a convivência e os caminhos humanos.
Trabalho é ascensão.
Dor é burilamento.
Toda adversidade avisa, todo sofrimento instrui.
Todo pranto lava, toda dificuldade esclarece e toda crise seleciona.
Virtude solitária é pão na vitrine.
Por bela que pareça, caracteriza-se pela inutilidade.
Não sacia e nem fortifica.
Competência no palanque é usura da alma.
Todos são alunos na escola da vida.
E ninguém consegue aprender sem dar a lição.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 04.11.2011.




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