terça-feira, 4 de agosto de 2015

Virtude ideal


Certa vez, um homem considerado virtuoso visitou uma fazenda onde viviam duas famílias. Encontrou, logo à chegada, duas mulheres que o receberam com alegria.
Sentiam-se honradas em receber a visita de um homem tão perfeito. Sua fama o precedera. Elas lhe trouxeram comida, água fresca para se dessedentar.
Ele lhes perguntou sobre suas vidas.
Elas, de forma muito simples, contaram que trabalhavam duro em casa e no campo, com seus maridos. Tinham muitos filhos amados de quem cuidavam. Sofriam doenças, pobreza e mortes, como todas as demais famílias.
Mas, e quanto a suas boas ações, perguntou-lhes o bom homem. O que fazem para Deus?
Elas se entreolharam e confessaram que nada faziam.
Não tinham dinheiro para dar, por serem muito pobres. Não tinham tempo de muito realizar por outras pessoas, pois suas próprias famílias as mantinham muito ocupadas.
Contudo, acreditavam-se felizes.
Ele se despediu delas e se foi.
Passando pela casa vizinha, como o intrigasse aquela vida tão simplória das duas mulheres, perguntou a um homem que trabalhava no jardim a respeito delas.
Ora, respondeu ele, são as melhores pessoas que já existiram. Moram aqui há vinte e cinco anos e ninguém ouviu qualquer animosidade delas. Já passaram por muitos sofrimentos.
Elas se importam com seus próprios problemas e recebem todos com palavras doces e um sorriso agradável.
Então, uma luz diferente se fez no íntimo daquele homem.
E pensou: Tenho vivido sozinho todos esses anos, controlando meu temperamento, sendo paciente e cordato. Mas será que eu poderia ter feito o mesmo com as preocupações de uma vida em família?
Já me habituei a viver com muito pouco, mas como estaria na pobreza, se outros sofressem além de mim? Não sei se poderia suportar a fadiga e o desgaste de ganhar o pão para outrem.
Verdadeiramente é mais difícil tornar-se um santo em casa do que num deserto.
E reconheceu que a verdadeira santidade é trabalhada no dia-a-dia, no trato com o semelhante.
Alçou uma prece profunda a Deus pedindo por uma nova chance: a de participar da vida comum, onde desejava encontrar um espaço para devotar-se ao próximo e servir aos seus irmãos.
*   *   *
Ser bom, caritativo, laborioso, modesto são qualidades do homem virtuoso.
Toda criatura que possui virtudes não as ostenta. Tal qual a violeta, simplesmente espalha seu discreto perfume e se esconde entre a folhagem farta.
Pratica o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesma.
*   *   *
A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.
As criaturas verdadeiramente virtuosas desconhecem que o são.
Muitas passam quase despercebidas pelos homens, mas sempre conhecidas de Deus.
Exemplos assim foram Vicente de Paulo e o digno Cura d'Ars.

Redação do Momento Espírita, com base no item 8 do cap. II de O evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb e no cap. Santidade verdadeira (adaptação de Joel H. Metcalf) de O livro das virtudes, v. II, de William J. Bennett, ed. Nova Fronteira.Em 7.2.2012.




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