quinta-feira, 30 de abril de 2015

Trabalhar com amor


Passavam alguns minutos de meio dia quando o táxi estacionou em frente ao escritório.
Era um dia muito quente de verão e o trânsito, como sempre, estava nervoso.
Abri a porta e sentei-me no banco traseiro.
Bom dia! Disse o motorista.
Respondi seu cumprimento e indiquei o bairro para onde devíamos seguir. O homem arrancou o carro e logo começamos uma boa conversa. Aquele era um taxista diferente. Tinha uma maneira agradável de se comunicar e nos lábios sempre um sorriso.
Comentei como deve ser difícil a sua profissão, pois dirigir o dia inteiro no trânsito de uma grande capital não é brincadeira.
Ele respondeu sorrindo:
Não digo que seja fácil, mas é só uma questão de jeito.
Aí o assunto ficou mais interessante pois aquele motorista, aparentemente tão comum, era uma verdadeira lição ambulante de sabedoria.
Começou a contar qual era o seu segredo, dizendo: Primeiro: eu nunca trago meus problemas pessoais para o trabalho. Antes de sair de casa, dou uma passadinha atrás da porta e deposito lá todas as minhas preocupações. Só as retomo no final do expediente e, para ser sincero, parece que os problemas diminuem de tamanho. Ficam mais fáceis de resolver.
Segundo: nunca desejo um bom dia a ninguém, se não for com convicção.
Terceiro: não me deixo envolver pelo mau humor nem pela irritação de alguns passageiros.
Quarto: não me permito entrar na onda de agressividade alimentada no dia a dia do trânsito.
Quinto: todos os passageiros são pessoas especiais para mim. Merecem minha atenção e o meu respeito e, se possível, minha solidariedade.
Quando disse isso, contou o caso de uma de suas passageiras.
Era início da manhã quando ela entrou no táxi, num bairro distante. Tratava-se de uma senhora de meia idade e estava de mãos dadas com uma criança.
Pediu-me para levá-la a uma agência bancária no centro da cidade. Eu lhe perguntei se ela precisava ir mesmo àquela agência ou se poderia ser numa mais próxima, que lhe economizaria tempo e dinheiro.
Ela respondeu que precisava apenas pagar umas contas. Então sugeri que fôssemos a uma agência que ficava há algumas quadras de onde estávamos. Ela aceitou. O trajeto não era longo, mas foi o suficiente para uma conversa sobre as coisas boas da vida.
Parei em frente ao banco e ela me pediu para esperá-la, pois precisava retornar logo para casa.
Durante a viagem de volta, continuei tentando animar aquela mulher que deixava transparecer profunda amargura no olhar.
Quando chegamos ao fim da viagem, aquela senhora de semblante triste falou com voz embargada:
"Foi Deus que enviou você, moço. Meu marido morreu há dois meses e eu estou passando por uma situação muito difícil. Nunca trabalhei fora, nunca tratei dos negócios, e agora me vejo obrigada a cuidar de tudo sozinha.
Além disso, sinto a falta do companheiro querido, agora ausente. Ando tão deprimida... E o pior é que estou passando essa tristeza para a minha filha que, como o senhor pode ver, está tão desolada quanto eu."
E, por fim, concluiu o taxista, ela chorou por cerca de dez minutos, e eu chorei também, comovido com aquele coração de mãe que sentiu em mim um ombro confiável para um desabafo salutar.
Pagou a corrida e esboçou um leve sorriso nos lábios, dando mostras de bom ânimo e coragem para seguir em frente.
*   *   *
Deus ajuda o homem através do homem. Qualquer que seja a atividade que você exerça na sociedade, ela pode lhe oferecer oportunidade de tornar a vida mais solidária e mais feliz.
Para isso, basta olhar ao redor com atenção e com o desejo sincero de estender a mão a quem precisa, mesmo que isso custe alguns minutos do seu precioso tempo.
Pense nisso!
 Redação do Momento Espírita.
Em 09.10.2009.




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