segunda-feira, 23 de março de 2015

Tempo de vida


Era uma vez, um homem muito observador. Ele estava sempre atento a tudo o que o rodeava.
Certa feita, ele sentiu vontade de visitar a cidade de Kammir e, após dois dias de marcha por caminhos empoeirados, ao longe avistou Kammir. Um pouco antes de chegar, chamou-lhe a atenção uma colina que se encontrava à direita do caminho. Ela estava coberta de um verde maravilhoso, com numerosas árvores, pássaros e flores encantadoras.
Tudo estava rodeado por uma cerca envernizada. Uma pequena porta de bronze o convidava a entrar.
Ele resolveu conhecer melhor aquele lugar. Entrou e foi caminhando, lentamente, entre as brancas pedras distribuídas no meio das árvores. Permitiu que seu olhar pousasse, como borboleta, em cada detalhe daquele paraíso multicor.
Como era extremamente observador, descobriu, sobre uma daquelas pedras, a seguinte inscrição: Abdul Tareg viveu oito anos, seis meses, duas semanas e três dias.
Sentiu-se um pouco angustiado ao perceber que aquela pedra não era simplesmente uma pedra, era uma lápide. Teve pena ao pensar em uma criança, tão nova, enterrada naquele lugar. Olhando ao redor, o homem se deu conta de que a pedra seguinte também tinha uma inscrição.
Aproximou-se e viu que estava escrito: Yamir Kalib, viveu cinco anos, oito meses e três semanas.
O homem sentiu-se muito transtornado.
Aquele belo lugar era um cemitério, e cada pedra era uma tumba. Uma a uma, leu as lápides e todas tinham inscrições similares: um nome e o exato tempo de vida do falecido.
Porém, o que lhe causou maior espanto foi comprovar que quem mais tinha vivido, apenas ultrapassara os onze anos.
Invadido por uma dor muito grande, sentou-se e começou a chorar.
A pessoa que tomava conta do cemitério e que, naquele momento, passava por ali, aproximou-se.
Permaneceu em silêncio enquanto olhava o homem a chorar e, após algum tempo, perguntou-lhe se chorava por alguém da família.
Não, ninguém da família. - Respondeu o visitante.
Mas, o senhor pode me responder o que se passa nessa cidade? Que coisa tão terrível acontece aqui? Por que tantas crianças mortas, enterradas neste lugar? Qual a horrível maldição que pesa sobre essas pessoas que as obrigou a construir um cemitério só para crianças?
O velho sorriu e falou:
Pode acalmar-se. Não existe nenhuma maldição. O que acontece é que aqui temos um antigo costume e eu vou lhe contar.
Quando um jovem completa quinze anos, ganha de seus pais uma caderneta, como esta, que eu mesmo levo aqui, pendurada no pescoço.
É uma tradição do meu povo que, a partir dessa idade, cada vez que desfrutamos intensamente de alguma coisa boa, anotamos na caderneta. À esquerda o que foi desfrutado e à direita, o tempo que durou.
É assim que anotamos. Se conhecemos uma moça e nos apaixonamos por ela, quanto tempo durou essa paixão e o prazer em conhecê-la. Uma semana? Duas? Três?
E depois, a emoção do primeiro beijo, quanto durou? Um minuto e meio? Dois dias? Uma semana? E a gravidez ou o nascimento do primeiro filho?
E a tão desejada viagem, por quanto tempo desfrutamos integralmente? E o encontro com o irmão que retorna de um país distante? Quanto tempo desfrutamos dessas situações? Horas? Dias? Meses?
Assim, vamos anotando na caderneta cada momento bem aproveitado, cada minuto que valeu a pena.
E, quando alguém morre, é nosso costume abrir a caderneta e somar o tempo bem desfrutado, para gravá-lo sobre a pedra, porque esse é, de fato, para nós, o único tempo que foi vivido.
*   *   *
No balanço final dessa curta existência na Terra, o que terá verdadeiramente valido a pena, será o que de bom e útil tivermos vivido.
Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita, baseado em
história de autor desconhecido.
Em 16.08.2012.




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