segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A semeadura e a colheita


A garota tinha pouco mais de sete anos.
Seus cabelos sedosos e claros cobriam-lhe o rosto delicado, enquanto ela corria, brincando alegre pelo jardim.
Ao ouvir o chamado da mãe que a observava, a pequenina atendeu sorridente.
Lembra-se do grão de feijão que deixamos sobre um algodão molhado na semana passada? - Perguntou a mãe, com doçura.
Sim! - Exclamou a garotinha sorrindo.
Pois eu acabei de ter uma surpresa. - Disse a mãe fazendo suspense.
Ansiosa a menina correu até uma das áreas cobertas do quintal.
Quando olhou dentro do pequenino pote no qual haviam deixado um grão de feijão pôde perceber que a frágil casca havia se rompido e uma haste muito branca buscava a claridade.
Ele brotou, mamãe! - Disse a menina muito satisfeita.
Ora, ora, meu amor! - Sussurrou a mãe - E o que será que vai nascer desse brotinho?
A menina olhou para a mãe, incrédula.
A dúvida da mãe era tão absurda que ela acreditou não ter ouvido direito.
Diga-me, minha filha. - Insistiu a mãe - O que vai nascer aí?
Ora, mamãe, um pezinho de feijão, é claro! - Respondeu um pouco contrariada.
Sorrindo pela reação da criança, a mãe envolveu-a com seus braços e, olhando-a nos olhos com ternura, deu continuidade à conversa.
É verdade, minha filha.
Plantamos um grão de feijão e será feijão que brotará.
Quando plantamos milho, o resultado de nossa semeadura também será milho.
Se semeamos trigo, será trigo que colheremos.
Assim também acontece na vida.
Quando espalhamos pelo mundo atos e exemplos nobres, serão eles que nos darão frutos mais adiante.
No entanto, quando nos limitamos a semear a discórdia e a dor, não há como obtermos uma colheita diferente disso.
Somente discórdia e dor hão de ser o resultado de nossos atos.
Como a menina escutava atenta, a mãe prosseguiu.
Muitos são aqueles que passam o tempo todo distribuindo sofrimento àqueles que os cercam.
Depois reclamam por não receberem nada de bom em troca.
Semeiam ventos e colhem tempestades, como diz o provérbio popular.
São infelizes porque não semearam em nenhum momento a felicidade.
Por outro lado, aqueles que plantam afeto e bondade ao longo do caminho, acabam colhendo grandes alegrias, mais cedo ou mais tarde.
Por isso, meu amor, nunca esqueça essa simples, porém valiosa lição:
Você vai colher exatamente aquilo que plantar.
*   *   *
Nossa vontade ativa, guiada pelo nosso livre-arbítrio, é uma das causas geradoras de efeitos mais ou menos longínquos, bons ou maus, que recaem sobre nós e formam a trama de nossos destinos.
Esta vida pode ser comparada a um anel em relação à grande cadeia das existências humanas.
Tudo o que semeamos haveremos de colher nessa ou em existências futuras.
Não há, portanto, como desconhecer nossas obrigações e esquivarmo-nos das responsabilidades que resultam de nossos atos.
O dia seguinte vem a ser o produto da véspera.
Não estamos escravizados a um destino inflexível, pelo contrário, somos autores e senhores de nosso futuro.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XVIII, do livroO problema do ser, do destino e da dor,  de Léon Denis, ed. Feb.
Em 28.03.2011.




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