quinta-feira, 12 de junho de 2014

Quando o perdão é o remédio...


Quando aquele homem adentrou o avião, a comissária de bordo não pôde deixar de observar-lhe o cenho carregado.
Gentil, acostumada ao trato com muitas pessoas, atreveu-se a lhe dizer:
Senhor, noto que não está bem. Permito-me lhe sugerir que leia uma obra muito importante. Ela mudou a minha vida, oportunizando-me ser mais feliz.
E declinou o nome do livro.
O homem se sentiu um tanto constrangido. Ele era o autor da obra citada.
Foi ao assento que lhe estava marcado, sentou-se e pôs-se a pensar.
Por que estava sempre tão tenso? Como podia escrever para os outros e viver tão mal? Tinha raiva de tudo e de todos, do mundo.
E, então, deu-se conta que odiava seu pai. Tinha um problema com ele, uma mágoa profunda, guardada há anos.
Era infeliz por causa disso. Era famoso, respeitado, homenageado, mas infeliz.
Resolveu ir ter com seu pai para uma conversa. Desejava que ele soubesse como estragara a sua vida.
Viajou por dois mil quilômetros. Quando chegou à cidade, seu pai não o aguardava. Ficou mais magoado ainda.
Foi à casa do pai e o encontrou, sentado no sofá, em frente à televisão.
Sem cerimônias, ele despejou tudo que trazia dentro de si, acumulado por anos.
Falou de como seu pai estragara a sua vida. Que seu pai nunca o abraçara, beijara ou tivera um gesto de carinho para com ele.
Que seu pai jamais lhe telefonara ou escrevera, cumprimentando pelos prêmios ou homenagens que ele recebera.
Quando concluiu a sua fala nervosa, agressiva, o pai lhe apontou uma mala, a um canto da sala e ordenou que a abrisse.
Dentro havia muitos recortes de jornais. Todos se referindo aos sucessos do filho.
E, então, com a voz de dor de muitos anos, o velho pai igualmente desabafou:
Você me culpa por sua infelicidade. No entanto, se esquece que fui eu quem lhe pagou todos os estudos.
Para que você conseguisse seu diploma de médico, eu trabalhei a terra, até minhas mãos sangrarem.
Quando sua mãe morreu, renunciei a um novo consórcio. Temi que, numa relação nova, viesse a ter outro filho e esse pudesse lhe trazer algum embaraço.
Você nunca me agradeceu, por nada. E nunca me telefonou. Nunca me escreveu.
Eu esperei tanto...
Nunca o abracei, é verdade. Eu não tinha jeito, nem vontade, depois das horas de cansaço e solidão...
Era um desabafo. Era tanta dor...
O filho se ajoelhou e pediu perdão, diluindo a mágoa injusta de muitos anos num abraço...
*  *   *
A infelicidade que nos cerca, muitas vezes, é somente fruto de nossa forma egoísta de ver o mundo.
Pensemos nisso e façamos o gesto primeiro do perdão, na direção de quem nos ama e nos aguarda a atitude de carinho, de gratidão.

Redação do Momento Espírita.
Em 08.11.2010.




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