quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Para os filhos, o melhor


Vou dar para os meus filhos tudo o que não tive.
Esta frase pode ser ouvida muitas vezes saída da boca de certos pais. Nada mais bonito. Uma grande prova de carinho e dedicação.
O que assusta é que na prática esse tudo que não tive se transforma quase que unicamente em coisas materiais.
Milhares de brinquedos, muita roupa nova, passeios todos os fins de semana, viagens desde cedo, todos os pequenos e grandes desejos imediatamente atendidos.
No mais das vezes, sem qualquer questionamento por parte dos pais, a não ser quando o dinheiro não é suficiente. Nesse caso, com muito sofrimento, eles adiam para daqui a um ou dois meses a compra do novo bem.
Acostumam os filhos a uma avalanche de presentes, com a qual supostamente tornarão suas crianças felizes.
No entanto, esses mesmos pais, em outros momentos, afirmam que os filhos, apesar de tudo que têm, quase não utilizam seus brinquedos.
Vivem pedindo outros e mais outros. Que também vão sendo empilhados, quase sem uso e vão se acumulando nos armários de seus quartos.
Alguns anos mais tarde, são ainda esses mesmos pais que lastimam o quanto têm que gastar com as roupas e mesadas dos filhos adolescentes.
A jovem precisa de uma roupa nova a cada fim de semana ou a cada festinha que comparece. E roupas somente de grifes.
Os meninos cedo aprendem a exigir carro, cartão de crédito, mais e mais dinheiro para programas em boates, noitadas ou viagens.
Quando os pais tentam refrear essas exigências, que passam a ser vistas como direitos pelos filhos, a reação costuma ser, no mínimo, de revolta.
Quando os pais agem, desde cedo, dessa maneira excessivamente generosa, porém impensada, o que estão estimulando é o surgimento de uma geração de jovens que valorizam apenas o ter em detrimento do ser.
Aprenderam a ver o mundo dessa forma. Não poderiam portanto ser diferentes.
Assim, só vale o que a pessoa possui. Não importa o que ela seja.
Pensando em nada negar aos filhos, os pais criam jovens extremamente inseguros, com valores equivocados. Não se sentem valorizados a não ser pelo que vestem, pelo que têm de bens materiais.
Importante se faz que os pais se preocupem em revelar aos filhos o seu valor pessoal como gente, como ser humano que vale pelo que é, pelo que tem de bondade, de generosidade, de honestidade, de caráter e honradez, de amor ao próximo.
Na verdade, o melhor que se pode dar aos filhos não são coisas materiais.
O melhor que se pode dar aos filhos é equilíbrio, tranquilidade, paz. Ensinar-lhes a valorizar o que têm.
Não se está sugerindo ou defendendo a idéia de privar as crianças de coisas que elas podem ter. Mas que os pais deixem algum espaço, alguma coisa pela qual os filhos se empenhem.
Não os sufoquem com o seu amor. Ao contrário, se empenhem para que os filhos acreditem em alguma coisa. Que tenham algum ideal, algum objetivo por que lutar. Que desejem dar uma contribuição social. Não apenas receber.
Ensinem aos filhos, enquanto é tempo, que a vida é muito mais do que o simples gozar. Que a vida é oportunidade de crescimento, de progresso.
Incentivem seus filhos na busca da intelectualidade e dos valores morais.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7 do livro Educar sem culpa,
 de Tânia Zagury, ed. Record e na perg.6 do livro Desafios da educação, pelo 
Espírito Camilo, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 09.10.2009.




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