terça-feira, 16 de julho de 2013

O mundo através das lentes do consumo


      A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do
que podemos imaginar.

        Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir
sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento,
de um emprego ou das pessoas que amamos.

        Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida,
é certamente salutar.

        Progresso, evolução, deve ser objetivo de todos na Terra.

        Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que
nos trazem grandes problemas.

        Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes -
por conseqüência - de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento
seríssimos.

        A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo
de fobia: a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição.

        Sem falar na ansiedade crônica, que hoje já faz adoecer o
mundo com seus venenos potentes.

        Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa
sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas
não são mais tolerados.

        A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e
para todos os tipos de bolso.

        São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas
da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de
cheques a perder de vista...

        Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são
vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados,
deixados para trás.

        O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser
inventado. Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos
padrões vigentes da época. Padrões, muitas vezes, altamente
questionáveis.

        Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos
transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. Em
mera imagem.

        Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo
através de lentes não viciadas em cânones ou padrões.

        Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.

        Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer:
Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.

        Este é o momento de despertar. Despertar para os valores mais
nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da
felicidade verdadeira.

        Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão
das dificuldades e limitações do outro e nossas.

        Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende
a mão ao próximo, para que cresça junto.

        Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando
dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a
negação.

        A lei maior do progresso nos coloca na direção da perfeição,
naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma
gradual no imo do Espírito.

        Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que
nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do
desastre.

*   *   *

        Evite o excesso de exigência para com os outros.

        Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões,
e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o
nosso, para tudo, é absurdo.

        O diferente está ao nosso lado por razões especiais. É com ele
que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos
a nossa gradual e certa perfeição.


Redação do Momento Espírita com base no artigo
Você não é perfeito, de Elisa Correa, publicado na
Revista Vida Simples, julho 2008.
Em 28.08.2008.




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