quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Carta a um prisioneiro


Ela havia sido uma mulher vitoriosa.
Aos trinta e um anos de idade, com uma filha de dez anos, teve paralisia e perdeu os movimentos das pernas.
Jamais se entregou ao desânimo, pelo contrário, conseguiu ser mais ativa ainda em sua vida.
Diplomou-se em educação especial, e aprendeu tudo que podia sobre as pessoas com deficiência. Depois, fundou um grupo de amparo chamado Os incapacitados.
Seu exemplo modificou a vida daqueles que a rodeavam, principalmente de sua filha que, anos mais tarde, dedicou-se ao Direito, na área penal.
Apesar da paralisia, aquela mulher envolveu-se no auxílio aos detentos, levando-lhes mensagens de inestimável valor.
Dentre essas, destaca-se uma carta escrita a um deles:
Querido Waymon, quero que saiba que tenho pensado em você com frequência, desde que recebi sua carta.
Você mencionou como é difícil estar preso, atrás das grades, e meu coração se une ao seu.
Mas, quando você disse que eu não imagino o que é estar na prisão, senti-me compelida a dizer-lhe que está errado.
Existem diferentes tipos de liberdade, Waymon, diferentes tipos de prisão. Às vezes, nossas prisões são autoimpostas.
Quando, com trinta e um anos, levantei-me um dia para descobrir que estava completamente paralisada, senti-me em uma armadilha – dominada pela sensação de estar presa dentro de um corpo que não me permitia mais correr pelas campinas, dançar ou carregar minha filha nos braços.
Fiquei ali deitada por muito tempo, lutando para chegar a um acordo com minha enfermidade, e buscando compreender o que a vida tentava me dizer.
Certo dia, então, me ocorreu que, na realidade, ainda havia opções abertas para mim e que eu tinha a liberdade de escolher entre elas.
Será que eu iria sorrir quando visse meus filhos de novo, ou iria chorar? Iria zangar—me com Deus, ou iria pedir a ele que fortalecesse minha fé?
Em outras palavras, o que eu iria fazer com o livre-arbítrio que ele havia me dado, e que ainda era meu?
Tomei a decisão de lutar, enquanto estivesse viva, para viver o mais plenamente possível, para procurar tornar minhas experiências, aparentemente negativas, em experiências positivas, procurar formas de transcender minhas limitações físicas, expandindo minhas fronteiras mentais e espirituais.
Eu poderia escolher entre ser um exemplo para meus filhos, ou poderia murchar e morrer emocional e fisicamente.
Existem muitos tipos de liberdade, Waymon. Quando perdemos um tipo de liberdade, temos que simplesmente procurar por outro.
Você e eu somos abençoados com a liberdade de escolher entre bons livros que iremos ler, e quais deixaremos de lado.
Você pode olhar para as suas grades ou pode olhar através delas. Você pode ser um exemplo para prisioneiros mais jovens, ou pode se misturar com os encrenqueiros.
Você pode virar as costas para Deus, ou pode amá-lO e buscar conhecê-lO.
Até certo ponto, Waymon, estamos nisso juntos.
*   *   *
Pensemos nisso: como estamos utilizando nosso livre-arbítrio?

Redação do Momento Espírita, com base no cap. O
grande dom de minha mãe, de Marie Raggianti, do livro
Histórias para aquecer o coração, de Mark Victor Hansen, Jack
Canfield e Heather Mcnamara, ed. Sextante.
Em 20.11.2013.




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