terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Pela paz na família


Ela estava muito cansada. Todo dia era a mesma coisa. Ela se via puxada para dez direções diferentes: filhos, roupas para lavar, compras no supermercado, prazos para cumprir, amigos pedindo conselhos, cartas necessitando respostas, o telefone que não parava de tocar.
Ela se sentia abatida e exausta além da conta.
Ele estava irritado. O dia fora difícil, na lida com homens e mulheres cujas vidas estavam desmoronando.
Depois de uma hora preso no trânsito, ele encontrou os filhos querendo sua atenção, uma lista de pacientes para quem precisava telefonar e uma pilha de contas para pagar.
Nas primeiras horas da noite, ambos se esforçaram para não gritar, tentando controlar os nervos em frangalhos.
De repente, alguma coisa insignificante acelerou o processo de descontrole.
As vozes de ambos se elevaram diante da intensidade da discussão. Sem querer, eles estavam trocando palavras que não desejavam pronunciar. Assuntos que nem eram relevantes foram trazidos à baila. Mágoas passadas foram revividas. Mágoas guardadas e nunca perdoadas.
Uma simples discussão se transformou num debate acalorado. Quando estavam aos gritos, a porta do quarto foi entreaberta. Lentamente. Silenciosamente.
Uma mãozinha se esgueirou pela fresta e colocou alguma coisa na porta. Imediatamente, a mãozinha sumiu e a porta foi fechada.
Curiosa, ela se levantou para investigar. Preso na porta com fita adesiva havia um pequeno coração de papel pintado de vermelho, com os seguintes dizeres: Eu amo a mamãe e o papai.
Anthony, o filho de oito anos, estava fazendo sua parte em prol da paz na família.
Lágrimas de vergonha molharam o rosto da jovem mãe. Marido e mulher se entreolharam, arrependidos por terem permitido que as suas emoções extrapolassem e prejudicassem seu lar.
De repente, nem lembravam mais sobre o que estavam discutindo, quando o pequeno Anthony colocou um coração de papel na porta do quarto.
Mas eles resolveram deixá-lo colado ali como um lembrete para os dias futuros.
*   *   *
As crianças têm a capacidade de apresentar soluções simples para problemas graves.
Enquanto os adultos pensam em falar, dizer, justificar muito para tentar um clima de paz, elas o fazem apenas com um gesto.
Talvez seja esta a razão porque o Mestre Galileu, ao se referir às crianças, ensinou que o Reino dos Céus é dos que a elas se assemelham.
Muito temos a aprender com elas, em termos de resolver dissensões, não guardar mágoas e semear paz.
Não se resolvem problemas em clima de guerra. Nem se chega a acordo quando todos gritam e ninguém escuta.
O ideal, quando o estresse toma conta de nós, é dar um tempo para nós mesmos.
Buscar um local tranquilo, perguntar-se o porquê de tanto cansaço, ansiedade, nervosismo.
Se a dificuldade é o excesso de trabalho, aprendamos a administrar as horas.
Se o problema é a saúde debilitada, dediquemo-nos a melhorar as disposições físicas.
Se o problema é o acúmulo de compromissos, paremos e reavaliemos nossos valores e nossos ideais. O que desejamos, afinal, para as nossas vidas?
E, se desejamos um clima de paz, a nossa prioridade deverá ser viver em plenitude, o que significa organizar nossos horários, nossas tarefas, nossos compromissos, deixando sempre um tempo longo para os exercícios da ternura, e do amor que necessita ser bem cuidado, todos os dias.

Redação do Momento Espírita com base no cap. O coração de papel,
de Gigi Graham Tchividjian do livro 
Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray,
ed. United Press.

Em 06.06.2011.




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