sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Nossa responsabilidade


Um dia desses, tivemos a oportunidade de observar um menino de seus dez anos, a quem a mãe vestiu, calçou os sapatos e amarrou-lhe os cadarços.
Durante todo o tempo, o garoto permaneceu qual um boneco, quieto, deixando-se vestir.
Surpreendidos pela cena, perguntamos à mãe por que o seu filho não se vestia sozinho.
Ah, disse-nos ela, se deixar por conta dele, ele faz tudo errado e eu gosto de vê-lo bem ajeitado.
O fato nos levou a pensar a respeito de como conduzimos a educação dos nossos pequenos e constatamos que, verdadeiramente, muitas vezes fazemos as tarefas que lhes competem, simplesmente pelo fato de ser mais rápido, mais fácil.
Naturalmente, é muito mais rápido à mãe guardar todos os brinquedos da criança, do que insistir, pedir, argumentar e ensinar como se faz.
O que não nos apercebemos, com tais atitudes, é que estamos formando homens do amanhã que, assim servidos, com quem lhes execute as tarefas, se tornarão dependentes eternos, sem iniciativa e com extremado egoísmo.
Importante que envolvamos as crianças nas tarefas do lar, mesmo que disponhamos de serviçal paga para isso.
Desta forma, arrumar a mala para uma viagem, escolher as roupas que deve levar, ajudar a escolher o lugar para passar as férias, tudo isto faz parte do amadurecimento do indivíduo.
Estimular os filhos a prepararem o lanche, quando convidam os amiguinhos, permitir que passem a manteiga no pão, que inventem sanduíches, disponham a mesa.
São tarefas construtivistas que auxiliam a organização do pensamento, a valorização da família e dos amigos.
Recordamos que os chamados selvagens permitem ao filho o desenvolvimento pleno, ensejando que ele realize as tarefas do cotidiano.
Os que nos dizemos civilizados, acreditamos que formaremos um super-homem, massacrando os filhos com cursos e cursos. São tantos que à criança não sobra tempo para pensar, criar, organizar o pensamento.
É uma maratona de uma aula para outra, enquanto as próprias mães se desgastam, servindo como motoristas. As crianças se tornarão criaturas cansadas, estressadas. Esquecemos que a sabedoria está no meio, não nos extremos.
Ensinemos nossos filhos a plantar, regar, lidar com a terra, para que não passem muito tempo frente ao computador ou à televisão.
Dosemos as horas para todas as tarefas, tanto quanto para as brincadeiras.
Não nos acomodemos, pois o comodismo dos pais tem dado péssimos resultados.     Recordemos que o nosso maior investimento será sempre na bolsa de valores para a formação do caráter digno dos nossos rebentos.
*   *   *
Tarefas construtivistas são aquelas que desenvolvem o ser na capacidade de fazer, compreender o que faz e usar os recursos utilizados em uma tarefa para facilitar a realização de outras.
Se persistirmos na preocupação de criar indivíduos instruídos, informados, mas não educados, estaremos contribuindo para que a sociedade do amanhã seja uma sociedade carente, onde cada um viverá somente para si mesmo.
É preciso respeitar a infância da criança como a fase muito importante de sua adaptação ao mundo e à sociedade.
Redação do Momento Espírita, com base em artigo de Heloisa Pires, 
publicado no jornal Correio Fraterno do ABC, de nov/1998.
Em 16.01.2009.




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