sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Jerusalém e Jericó



A parábola do bom samaritano é bem conhecida do mundo cristão.
Jesus a utilizou para ensinar grandes verdades.
Diz o mestre que um homem descia de Jerusalém para Jericó e foi assaltado no meio do caminho.
Jesus se refere a um homem. Não diz se era nobre ou plebeu, se era rico ou pobre, diz somente que era um homem. Poderia ter dito que um homem ia, se dirigia, rumava de Jerusalém para Jericó, mas ele usa o verbo descia, a fim de passar um ensinamento.
Outro detalhe importante está nas cidades a que Jesus se refere: Jerusalém e Jericó. Ele poderia ter dito que um homem transitava pela estrada, ia de uma cidade a outra, caminhava entre duas cidades, mas ele cita o nome dessas cidades.
E aqui vale uma rápida consideração sobre as duas cidades. A cidade de Jerusalém representava as coisas espirituais, as coisas de Deus, era a sede do templo de Salomão. Jericó era um grande polo comercial, a cidade das trocas de mercadorias, do ouro, da usurpação. Representava as coisas do mundo.
Jerusalém significa as coisas do alto, Jericó as baixadas.
O grande ensinamento contido nessa parábola está expresso no verbo que Jesus utilizou e nas duas cidades.
Dizer que o homem descia de Jerusalém significa dizer que ele deixava os interesses espirituais para cuidar das coisas do mundo, dos interesses materiais.
E quando abandonamos a posição Jerusalém para viver a posição Jericó, estamos sujeitos a assaltos, quedas, ferimentos, dores.
Quantos pais de família honrados, fiéis, que de uma hora para outra resolvem buscar uma aventura fora do lar. Deixam sua posição Jerusalém para mergulhar na posição Jericó e são assaltados por terríveis reveses.
O comerciante honesto, que luta com dificuldades mas com dignidade e que de repente resolve enganar seus clientes, tirando um pouco no peso, nas medidas, na qualidade do produto.
Funcionários que trabalharam anos a fio com dignidade e que um dia resolvem aceitar o convite da desonra, caem nas armadilhas da corrupção, e sofrem os assaltos da intranqüilidade e da vergonha.
Políticos que se mantém com o dinheiro suado do trabalho abençoado e um dia se deixam enredar pelas teias dos interesses egoístas e despencam vertiginosamente para as baixadas infelizes, sofrendo assaltos de toda ordem.
Todos aqueles que descem da posição Jerusalém para a posição Jericó sofrem os tormentos na própria alma.
A posição Jerusalém não traz resultados imediatos, mas traz a paz da consciência tranqüila. A possibilidade de conciliar o sono, de andar com a cabeça erguida.
A posição Jericó geralmente vem acompanhada de aplausos interesseiros, de glórias efêmeras, de bajulação hipócrita.
A primeira é perene, duradoura, eterna. A segunda é passageira como as flores de um dia.
Paulo o grande apóstolo dos gentios, depois do contato com o mestre de Nazaré às portas de damasco, jamais abandonou os valores espirituais, jamais desceu da posição Jerusalém para as baixadas das coisas do mundo, da posição Jericó.
Sua caminhada foi áspera e muitas foram as renúncias, mas ele fez a viagem definitiva rumo às paragens celestes com a alma envolta em luz.
Seu rastro perfumado perdura até os dias de hoje, como um convite de amor para quem deseja conquistar a felicidade eterna.
***
Um dia, o amor vestiu-se de homem e andou sobre a Terra.
Ensinou as verdades da vida numa linguagem simples e ao mesmo tempo profunda.
Revestiu os ensinamentos com parábolas de grande sabedoria.
E falou com ternura: "eu sou o caminho da verdadeira vida".
E convidou-nos como um irmão maior: "quem quiser vir após mim, tome de sua cruz, negue-se a si mesmo e siga-me".

(Baseado em palestra proferida por Raul Teixeira no dia 31/12/99 na SEF-RJ)





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